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Cientistas reconstroem córneas a partir de células-tronco adultas

04/Mar/2016

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Córnea reconstruída no olho de um camundongo.

 

A córnea é uma membrana que cobre a pupila e é responsável por direcionar a luz para a retina. Em um significativo avanço nas técnicas que procuram devolver a visão a pessoas que ficaram cegas por lesões nas córneas, pesquisadores de uma colaboração de diversas instituições nos EUA reconstruíram esta membrana usando células-tronco adultas retiradas dos olhos de doadores mortos. A pesquisa marca a primeira vez que cientistas conseguiram produzir toda a estrutura de um tecido a partir deste tipo de célula-tronco que, diferente das embrionárias que são capazes de darem a origem a qualquer tecido do corpo, já apresentam uma especialização trabalhando na reposição e regeneração de tecidos danificados.

Os pesquisadores, liderados por Markus Frank e Natasha Frank, do Instituto de Células-Tronco da Universidade de Harvard, só puderam reconstruir uma córnea inteira graças à descoberta de um biomarcador capaz de identificar as chamadas células-tronco epiteliais límbicas. Este tipo raro de células-tronco é encontrado apenas no limbo, a pequena região de fronteira entre a pupila e a esclera, a parte branca do olho, e sua deficiência ou perda devido a várias doenças e acidentes como queimaduras está entre as principais causas de cegueira no mundo. Até agora, o principal tratamento disponível para estes casos é o transplante direto de tecidos e células cultivadas do limbo do olho não danificado do paciente ou de doadores de órgãos, com resultados variáveis.

Segundo Natasha, estudos anteriores mostram que para as operações serem bem-sucedidas ao menos 3% das células transplantadas devem ser células-tronco epiteliais límbicas. Assim, a ideia dos pesquisadores é usar o biomarcador, batizado ABCB5, para identificar, colher e cultivar estas células de forma a aumentar sua concentração nos tecidos transplantados e garantir o sucesso do tratamento.

No estudo, os pesquisadores desenvolveram um anticorpo especial que se liga ao ABCB5, proteína presente na superfície das células-tronco epiteliais límbicas, efetivamente marcando-as em uma amostra da população geral de células do limbo. Eles puderam então purificar estas amostras para que contivessem apenas as células-tronco, que depois foram transplantadas para camundongos cegos devido a lesões nas córneas. Exames realizados cinco semanas e 13 meses depois da operação verificaram que os animais desenvolveram novas córneas com as mesmas características das encontradas em camundongos saudáveis.

“Creio que a parte mais excitante deste estudo é que, apesar de todas as evidências de que as células-tronco adultas contribuem para a regeneração de tecidos, o que vimos é basicamente a primeira evidência de que podemos pegar células-tronco adultas para reconstruir um órgão que foi danificado”, destaca Natasha.

Agora, Markus e Natasha estão trabalhando com indústrias farmacêuticas para desenvolver um teste com anticorpos da proteína ABCB5 que atenda às regulações americanas. Os cientistas também esperam descobrir uma maneira de fazer com que as células-tronco epiteliais límbicas se multipliquem de forma que um único doador possa beneficiar vários pacientes e iniciar ensaios e testes clínicos da técnica em transplantes para seres humanos.


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